quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Da mentira



























É neste espaço circundante que torno ilimitado o meu pensamento.
É em actos e expressões que reconheço ou descodifico, que torno possíveis concepções, ideias explicitas em conclusões.
Não consigo fugir da realidade, de uma realidade situada no devir, pois esta arrasta-se, ou constroi-se no imediato presente em que me encontro.
Não é fácil para alguém me mentir.
Mais cedo ou mais tarde, após algum estudo e até determinismo, qualquer mentira será cativa da minha avaliação e descodificação.
Não é certamente difícil entrar, conhecer, os antípodas de qualquer mente, de qualquer modo de agir, quando conhecemos suficientemente bem a maquina, o engenho, que vive nas costas de um "Modus operandi" concentrado em protagonismos.
Quem sou eu para julgar o mundo ou alguém?
Quando sou tão ou mais falacioso quanto qualquer outro humano.
Mas onde quero realmente chegar, é ao facto de que se torna repulsivo encarar e engolir certas e determinadas mentiras quando mal elaboradas e consequentemente tornadas óbvias.
As mentiras são toleráveis, se, e só mesmo se, fizerem justiça ao significado do termo em si.
Mentir com todos os dentes, imaginando que essa mentira é um produto bem elaborado, e que este salvaguarda um enorme afastamento com a verdade, é abrir um abismo imediato com alguém que reconhece facilmente a mentira.

sábado, 27 de setembro de 2008

Eléments pour une étude /3




















Tu que queres possuir o mundo nas tuas mãos,
Mostras me como é simples a vida.
Tu que me falas com convicção,
quebras o envelhecer do tempo quando naufragas nos meus largos e cansados braços.
Falas, falas, e falas, gracejando e projectando risos peculiares.
E como é bela a expressão de admiração e atenção no teu olhar...
Bondosa, radiante, senhora de sorrisos fáceis.
Apaixonada pela vida, forte e decidida.
Demonstra me de novo como rasgas o ar enquanto danças, desenhando formas que eu nunca vi.
Tenra tua carne feita de neve, olhos esmeralda, rosé o baton...


Algures entre a chuva de ontem a noite, e a inquietação do dia de hoje, o peito pesa.
Cinco toneladas.
A saudade berra, grita por um osculo, por um abraço, por mais um gesto.




in "Eléments pour une étude"

terça-feira, 2 de setembro de 2008

...



















“ "He" did ask what I thought about you.”


“And what did you say?”…


”I said…A great thing about "her" is when you look in her eyes and she’s looking back at yours, everything does not feel quite normal. Because you feel stronger, weaker at the same time. You feel excited and at the same time terrified. The truth is you don’t know what you feel, except what kind of man you want to be. It feels like you reached the unreachable and you were not ready for it.”


sábado, 30 de agosto de 2008

...





















Eu quase acreditei
Quase
Que a chuva que caía em mim era incolor

Foi a crença na falta de cor que me deixou assim
Insatisfeito
Circunscrito

Tenho uma cama circular onde dou voltas e voltas durante a noite
Onde me interrogo
Onde me sinto
Onde encontro o tudo e o nada
Onde me minto

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O Amor Busca para que o Entendimento Encontre
























"Não basta a agudeza intelectual para descobrir uma coisa nova. Faz falta entusiasmo, amor prévio por essa coisa. O entendimento é uma lanterna que necessita de ir dirigida por uma mão, e a mão necessita de ir mobilizada por um anseio pré-existente para este ou outro tipo de possíveis coisas. Em definitivo, somente se encontra o que se busca e o entendimento encontra porque o amor busca. Por isso todas as ciências começaram por ser entusiasmos de amadores. A pedanteria contemporânea desprestigiou esta palavra; mas amador é o mais que se pode ser com respeito a alguma coisa, pelo menos é o germe todo. E o mesmo diríamos do dilettante - que significa o amante. O amor busca para que o entendimento encontre. Grande tema para uma longa e fértil conversa, este que consistiria em demonstrar como o ser que busca é a própria essência do amor! Pensaram vocês na surpreendente contextura do buscar? O que busca não tem, não conhece ainda aquilo que busca e, por outra parte, buscar é já ter de antemão e conjecturar o que se busca.
Buscar é antecipar uma realidade ainda inexistente, preparar o seu aparecimento, a sua apresentação. Não compreende o que é o amor quem, como é habitual, se fixa somente no que desperta e desfecha um amor. Se o amor por uma mulher nasce pela sua beleza, não é a complacência nessa beleza o que constitui o amor, o estar amando. Uma vez desperto e nascido, o amor consiste em emitir constantemente como uma atmosfera favorável, como uma luz leal, benévola, em que envolvemos o ser amado - de modo que todas as outras qualidades e perfeições que nele haja poderão revelar-se, manifestar-se e nós as reconheceremos. O ódio, pelo contrário, coloca o ser odiado sob uma luz negativa e só vemos os seus defeitos. O amor, portanto, prepara, predispõe as possíveis perfeições do amado. Por isso nos enriquece fazendo-nos ver o que sem ele não veríamos. Sobretudo, o amor do homem pela mulher é como uma tentativa de transmigração, de ir para lá de nós mesmos; inspira-nos tendências migratórias".

Ortega y Gasset, in 'O Que é a Filosofia?'








Acho fabulosa a forma como o autor nos demonstra que o amor é um veiculo para o enaltecimento das virtudes do ser amado. Aquilo que nos surge de imediato como paixão, e que nos leva muitas vezes a pensar e dizer que a paixão nos torna cegos, não é mais senão o algo que nos impulsiona a querer conhecer. Se nos fosse impossível enamorar por algo ou alguém, nunca saciaríamos a nossa sede de descoberta. O que estamos nós a fazer quando nos envolvemos com alguém? Não será de todo justo dizer que na finalidade
estamos a conhecer essa pessoa? O fascínio leva nos a descoberta, ora nem mais. Posto isto, é aceitável afirmar que possuímos sempre objectos que para alem de nos situarem no mundo, e de nos conferirem a graça de nos mostrar como somos, também nos alimentam a fome de procura, de descoberta. Surge então uma duvida. O que dizer daqueles aos quais foi dada afiada curiosidade? Serão eles eternos amantes? Seres insatisfeitos e por conseguinte frustrados pelo facto de por vezes não saciarem a sua enorme sede? Que papel tem eles neste mundo? Fora a ultima questão, que iria dar muito pano para mangas arrastando outras temáticas, aquilo que tenho a opinar em relação á curiosidade é muito breve. Sendo a curiosidade humana um desejo de ver ou conhecer algo até então desconhecido, demonstra se assim como um motor que surge no mundo, trabalha para o mundo, e cria o mundo. Seres curiosos não são mais senão seres munidos de espíritos vigorosos, e igualmente seres capazes de nutrir paixões atrás de paixões. A essência das grandes descobertas no nosso mundo é então este grande motor que é a curiosidade. É ela que nos abre as portas a novos horizontes, é ela que nos tira a venda da ignorância da frente dos nossos olhos e nos obriga a levar a inteligência humana a outros níveis, atingindo a claridade meridiana da verdade.
O ser curioso é um eterno apaixonado.
A contemplação e analise são as suas ferramentas, a curiosidade a sua matéria prima.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Murmúrio suave



















Vem
Desce lá as escadas que te trazem até mim
Dá olhos a este sonho que carrego no meu seio
Vamos algures, e tomamos um pouco do néctar,
do doce vinho que cai do céu sobre a nossas cabeças


Vamos
Vamos dar á vida um novo alento
Vamos dar á vida um novo lápis de cor
Fazer uma
descrição minuciosa e fiel do redor


Se o tempo nos passa feito ave de rapina ou condor
Vamos então bajular a cimeira que é o amor
Vamos festejar com a saudade esse Carnaval
Enaltecer essa orgia sem tapar os olhos ao que existe á sua volta


Criaremos novos mundos
Vamos fazer desta vida a nossa revolta
Vamos dar dentes aos nossos sonhos
Para que mordam, esmaguem tudo ao seu passar


Não sabemos se o tempo se demora
A não ser quando este nos devora:


Doem os ossos
Rasga-se a carne
Rangem os dentes uns nos outros
Abre-se o ventre á agridoce
condolência


Fica a morte interior entregue ás nossas fachadas corpóreas
E o eterno pesar entregue aos nossos espíritos
Rezamos a uma qualquer entidade pela saúde dos nossos suspiros
Esperamos que o tempo passe com urgência
Para assim darmos lugar a mais um declive de apaixonada inocência






terça-feira, 17 de junho de 2008

CeaseFire

























"... Posto isto, asseguro a mim mesmo que o vento corre a meu favor.
Muitas foram as guerras, muitos foram os problemas que se deram sem necessidade.
Considero me agora um soldado condecorado com o mais lindo sorriso alguma vez visto.
Sorriso de prender o coração ao dia em que o possa vislumbrar de novo.
Como gosto eu de o sentir em mim, de o ver em ti...
Renuncio ás armas, entrego tais objectos ás memorias, pois delas já não preciso.
Hoje consigo olhar o horizonte sem medo de fraquejar.
As pernas já não tremem como tremeram.
A carne já não transpira como transpirava.
As feridas já não choram sangue, e o medo esse parece ter ido de ferias.
Sou quem sou sem medo, sou quem tão bem me conhece sem medo.
Sou a causa e o fim.
Sou o principio, o advento.
Sou a queda do muro.
Sou arquitecto de emoções.
Sou a alma pendurada no estendal de pensamentos.
Sou eu, apenas eu, como só tu conheces.
EU.
Sem m...e...d...o " .